Joaquim Tashka Esclarece,

Tendo em vista noticia veiculada no site AC24horas, com o título “Índios revelam manobras para derrubar administrador da Funai no Acre”, no qual meu nome foi descabidamente envolvido numa questão política e policial sob investigação, venho prestar os seguintes esclarecimentos:

Ao contrário do que está escrito, não estive em Brasília na data mencionada. Faz dois anos que não vou para Brasília. E em nenhuma viajem que realizei, para o Brasil ou para o exterior, como representante de meu povo, os objetivos foram demandas políticas para derrubar pessoas públicas de seus cargos. Eu nunca viajo com esse objetivo isso não faz parte de meu caráter.

Conforme já declarei publicamente, a denuncia contra Francisco Pianko deve ser apurada pelos órgãos competentes. Cabe ao povo Yanawana, e a mim como uma liderança, acompanhar as investigações e prestar o auxilio necessário para que a Justiça tire suas conclusões. Nada além disso. Muito menos fazer o jogo político insinuado pela imprensa, por exemplo esta notícia veiculada por este site.

Minhas opiniões estão expressadas no meu blog: awavena.blog.uol.com.br  

Usar o meu nome, ou do meu povo, com o fim político para denegrir a imagem de pessoas públicas, ou atacar adversários políticos, é uma atitude moralmente condenável e da qual eu não compactuo.

Tenho meus próprios ideais, que defendo sempre que achar necessário. Sigo a ética e a moral dos ensinamentos de meu povo, aprendidos com meu pai e com os mais velhos de minha aldeia.

Rio Branco, 25 de março de 2009

Tashka Yawanawa

Centro Cerimonial de Curas e Terapias
Shuvo Yawanawa



Era um antigo sonho do meu pai, construir uma casa tradicional Yawanawa, que pudesse servir como um lugar para guardar os materiais sagrados por ele confeccionado,  como: as lanças, as flechas e as bordunas sagradas. Lugar onde ele pudesse ensinar a geração mais nova  sobre o conhecimento tradicional do povo Yawanawa. Meu pai Raimundo Tuinkuru, é um grande conhecedor da história, da vida, da liderança, dos costumes, da tradição e da espiritualidade Yawanawa. Aprendeu toda essa sabedoria de seu pai, o grande cacique e líder espiritual Antonio Luis Pekuti.

A cada dia que passava, via que o sonho de meu pai não  iria se realizar nesta vida, por motivos de vários compromissos de trabalho e por falta de apóio para construir esta casa. Ele sempre reclamava de que a gente não estava valorizando o grande conhecimento que ele tinha, que ele ia acabar morrendo sem ver seu sonho se tornar realidade. Vi, esse sonho, ainda mais distante, com a divisão interna do povo Yawanawa em duas organizações ano passado. Já que para construir uma casa na dimensão que ele sonhava, necessitava da união e de muita gente trabalhando para construir.

Fui passar a semana do carnaval 2009, na aldeia Mutum. Levei comigo para conhecer o povo Yawanawa, um amigo de longa data, Osmar Coelho. Conheci Osmar em 2001, numa JAM organizado pelo organização norte americana Youth for Environment Sanity – YES, en Los Gatos, nos Estados Unidos. Desde então Osmar tem se tornado um grande amigo e apoiador de nosso trabalho.

Aproveitei esta viagem para reunir todas as 5 comunidades para planejar as atividades do ano de 2009. Durante nosso planejamento que denominamos de Plano Econômico e Social Yawanawa das aldeias Mutum, Tiburcio, Escondido, 7 Estrelas e Matrixã; perguntamos para as 5 lideranças se eles não aceitavam o desafio de construir um Shuvo, como forma de mostrar a união e a força de trabalho das 5 comunidades para deixar um legado aos velhos que mantinha o conhecimento tradicional Yawanawa.

As 5 lideranças presente, aceitaram o desafio de construir o Shuvo, sem nenhum tipo de apoio, apenas com a força de vontade e a coragem. Acordei pela manhã e fui logo marcando o local onde iria construir. Todos me olhavam um pouco  desconfiado, se eu não estava louco de querer construir o shuvo do nada em apenas 2 semanas. Também olhava para eles, não acreditando que eles seriam capazes de fazer o trabalho. Após marcar os pontos de onde seriam fincados os esteios de sustentação, fui pra mata retirar as madeiras com um grupo de jovens.

Passei a tarde na mata retirando a madeira, e notei que era muito trabalho, então larguei meus companheiros e voltei antes para aldeia.. Mais tarde todos voltaram pra aldeia rindo de mim, dizendo que eu tinha fugido e largado eles na mata, que precisava ficar mais na aldeia para apreender a fazer casa. Disfarcei meu constrangimento e mudamos de assunto para não entrar nos detalhes do meu ponto fraco de um Yawanawa que se criou metade na aldeia e metade na cidade. Naquela mesma tarde tive que baixar pra Tarauacá, onde pegaria um vôo para retornar a Rio Branco.

Fique essas últimas semanas em Rio Branco cuidando de outros compromissos referente ao povo Yawanawa, que a Associação Sócio Cultural Yawanawa representa. Mesmo estando em Rio Branco, estava muito curioso para saber como estava indo a construção na aldeia. Para minha angústia, o telefone orelhão que fica na aldeia Nova Esperança, havia quebrado. Ficamos sem comunicação total.

Passado duas semanas recebi uma ligação de Tarauacá do Osmar, que tinha vindo a Tarauacá comprar prego e mais umas “mercadorias” para o pessoal da aldeia “fechar” a construção. Eu não podia imaginar o Shuvo pronto. Osmar me passou os detalhes da construção. Não dormi nesta noite.

Infelizmente tive que ficar mais uma semana em Rio Branco, esperando um outro amigo e apoiador do povo Yawanawa, Hylton Philipson e mais um outros amigos, que estavam vindo da Inglaterra visitar o povo Yawanawa. Encontrando com Hylton em Rio Branco, já fui contando detalhes do Shuvo pra ele, como se eu já tivesse visto antes. Subindo o Rio Gregório de barco com Hylton ele me perguntou um detalhe particular do Shuvo, tive que admitir pra ele, que eu pessoalmente não conhecia, que minha expectativa estava muito grande, que eu quase não estava me segurando de tanta curiosidade.

Na volta do rio para chegar na aldeia do Mutum, fechei os olhos e esperei chegar mais próximo para abrir. Finalmente quando percebi que já podia abrir os olhos, não podia acreditar na grandeza daquela construção na minha frente. Melhor ainda foi ver todo mundo em frente cantando pra receber a gente. Foi um das grandes emoções que tive na minha vida.

O Shuvo, que batizamos como Centro Cerimonial de Curas e Terapias Yawanawa, simplismente é um lugar inacreditável. É uma construção de fazer inveja a qualquer construção moderna. Fiquei maravilhado. Meus amigos visitantes, ficaram perguntando quem tinha sido o arquiteto, falei pra eles que a construção tinha contado com a idéia e o trabalho de todos, que não tinha um arquiteto, mais era um conjunto de idéias e trabalho coletivo.

A parte de baixo mede 20 metros de um lado para outro, espaço suficiente para a comunidade fazer fogo, atar rede, fazer mariri, e fazer cerimônias. A parte de cima tem um assoalho em forma de triangulo, na qual o assoalho é retangular  seguindo o contorno das palhas. A visão de cima é espetacular, é possível ver  quem está chegando de barco, tanto pela parte de cima e da parte debaixo do rio Gregório. Tudo na sua devido perfeição. Parece uma fortaleza.

Inauguramos o Shuvo com uma noitada de Uni  (ayahuasca), dançando e cantando até o amanhecer. Durante a cerimônia, tivemos visões fortíssimas de um recomeço de um novo trabalho, de um novo tempo.

 

Shuvo - the Yawanawa Ceremonial Center


It was an old dream of my father, build a traditional Yawanawa house, which could serve as a place to save the sacred materials made by him, as the spears, arrows and the bordunas sacred. Place where he could teach the younger generation about the traditional knowledge of Yawanawa people. Raimundo Tuinkuru my father is a great knowledgeable of history, life, leadership, the customs, tradition and spirituality of Yawanawa people. He’s learned all this wisdom from his father, the great chief and spiritual leader Luis Antonio Pekuti.

Each day that passed through the dream of my father not would take place in this life, because of several commitments to work and for lack of support for build this house. He always claimed that people not value the great knowledge he  had, he would end up dying without seeing his dream is become reality. I saw this dream, further away, with the internal division of people into two Yawanawa organizations last year. Because to build a house the size he wanted, needed the union many people working together to build.

I spend the week of Carnaval 2009 in the village Mutum. I invite to go with  me to see the people Yawanawa, a friend of my, Osmar Coelho. I meet  Osmar in 2001, in a  youth JAM, organized  by the American Youth Organization named  Youth for Environment Sanity – YES, in Los Gatos, in the U.S.. Osmar has since become a great friend and supporter of our work.

I took this trip to meet all the five  communities to plan the activities of the year 2009. During our planning we develop a plan that we call The Yawanawa Economic and Social Plan of 2009. In our meeting I asked for the 5 leaders,  if they accept the challenge of building a Shuvo, a big Yawanawa traditional house,  one as a way to show unity and strength of 5 work of communities to leave a legacy to the elders who had the traditional knowledge of our people.

The 5 leaders present, accepted the challenge of building the Shuvo, without any kind of support, with only the strength of will and courage. I wake up  in the morning and went to marking the place where it would build.  Everyone was  looked to me a little suspicious if I was not crazy to build a Shuvo from scratch in just 2 weeks. I also looked for them, not believing that they would be able to do the job. After check-points where would be the mainstay of support, it was time to go the jungle cut the timber woods with a group of young people for the Shuvo.

I spent the afternoon in the forest by removing the wood, and noticed that was much work, then dropped my companions and I returned to village. Later my colleges back from the forest and they everyone was  laughing at me, saying I need to learning how is hard to build a traditional. I change  the subject to not enter the details of my weak point of a Yawanawa that was create half and half in the village in the city.

That same afternoon I had to go the down to the river to  Tarauacá where to get a flight to return to Rio Branco.

I spend a lot time in Rio Branco  taking care about business that are relating to the Yawanawa Sociocultural Association. To be in Rio Branco, meanwhile people was working in the community  was very curious to know  how’s going to be. My curiosity got more crazy because unfortunately the public phone in the community broke. We was totally without communication.

Past two weeks received a call from the Tarauacá,  Osmar, who had come to buy nail Tarauacá and more  some "goods" to the staff of the village to "close" to construction. I could not imagine the Shuva ready. Osmar passed to me the details of construction. In that night I do not sleep just thinking how was.

Unfortunately I had to stay another week in Rio Branco, expecting another friend and supporter of the people  Yawanawa, Hylton Philipson and one other friends there was coming from England to visit the people Yawanawa. In Rio Branco I was telling Hylton the details of the construction. Up the river by boat in the  Gregory river, Hylton asked one particular detail of Shuva, I had to admit him, that I personally did not know yet how was because I didn’t saw yet. I was holding so much curiosity to see.

Arriving in return the river to reach the village of Mutum, I closed eyes and waited get closer to open. Finally when I realized that now could open eyes, could not believe the size of that building in front of me. Even better was seeing the world in front you get people singing. It was one of the great emotions I had in my life.

The Shuvo, who we baptized as Ceremonial Center of Healings and Yawanawa Therapies, is simply a place unbelievable. It is a construction to the envy any modern construction. I was amazed. My visiting friends, were asking who was the architect, told them that the building had counted with the idea and the work of all who had a architect, was more a set of ideas and work collective.

The lower part of measures 20 meters from one side to another, enough space for the community to fire, tie network, do mariri and do ceremonies. From above has a floor in the form of a triangle, in which the is rectangular floor following the contour of straw. A view from above is spectacular, you can see who is arriving by boat, by both the top and part under the Gregory River. Everything in its due perfection.  Looks like a fortress.

Shuvo opened the night with of Uni (Ayahuasca Ceremony) dancing and singing until dawn. During the ceremony, we had very strong visions of a resumption of a new work, a new time.

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