Quem não deve não teme - Repondo a verdade



 

A titulo de esclarecimento a opinião publica, venho manifestar minha indignação e repor a verdade, quanto a matéria `ONG´s do Acre proibidas de firmar convênios com o governo federal movimentaram mais de R$ 18 milhões antes da inadimplência,` no qual sou citado como inadiplente do Convenio UNI/FUNASA.

 

Pessoalmente nunca deixei de acreditar na justiça divina, pois a nossa justiça humana, é muita injusta e cruel com quem verdadeiramente defende a verdade, a ética, a moral e a vida.

 

Esse embrolio da UNI, sucedeu, depois que eu tinha voltado dos Estados Unidos em 2001, depois de passar 5 anos estudando e trabalhando por aquelas terras. Era jovem sonhador, tinha voltado super inspirado e com vontade de moralizar o movimento indígena, para que a voz indígena não se calasse diante das injustiças sociais que eram cometidas naquela época.

 

Por um ato de bravata e heroísmo, em 2004, junto com outras lideranças indígenas, resolvemos pedir o afastamento de toda coordenação da União das Nações Indígena do Acre e Sudoeste do Amazonas – UNI, que estava envolvida no escândalo do convenio UNI/FUNASA  para responder o processo, enquanto pudéssemos organizar uma assembléia que pudesse moralizar o movimento indígena. De boa vontade aceitei fazer parte de uma comissão provisória para organizar o movimento indígena.

 

Juntamente com a comissão provisória trabalhamos e organizamos uma assembléia, e repassamos para a coordenação todo o trabalho que tínhamos feito durante o tempo que ficamos como comissão provisório. Para minha surpresa, meses depois todo o processo da UNI virou-se contra mim.. Nunca fiz parte da coordenação da UNI, nunca assinei nenhum convenio, nunca assinei um único cheque, nunca peguei um centavo do convenio UNI/FUNASA.  Não surupiei o herario publico, ou dinheiro destinado a saúde indígena. Para minha surpresa, meses depois todo o processo da UNI virou-se contra mim, como se eu tivesse sido a pessoa responsável pela gestão do projeto. Não carrego nenhuma culpa comigo de ter surupiado o herario publico, ou dinheiro destinado a saúde indígena.

 

O convenio UNI/FUNASA, foi celebrado 1999 e tinha como objetivo levar o saneamento de saúde e prestar serviços de saúde básica a população indígena. No entanto, em apenas 04 anos de existência este convênio acabou se transformando num grande simbolo da desestruturação do movimento indígena, onde perdeu credibilidade diante das lideranças indígenas, organizações governamentais e não-governamentias, acarretando no fechamento total da sede e do próprio movimento indígena UNI/AC.

 

Em 2004 houve a dissolução do movimento indígena devido aos   grandes problemas ocasionado na execussão do convênio UNI/FUNASA.  A Uni, deixou-se levar pela FUNASA, que utilizou de má fé de nossas lideranças para empurrar o movimento indígena num colapso total,  até os dias atuais, lideranças indígenas são convocados para prestar depoimento na Policia Federal, enquanto que os funcionários da FUNASA, nunca foram convocados, nem tão pouco a FUNASA, sofreu algum tipo de intervenção.

 

Na época em que o Convenio UNI FUNASA, era celebrado, eu estava estudando e trabalhando nos Estados Unidos. Retornei ao meu querido Acre e Brasil em 2001. Logo que cheguei de viagem, me dediquei exclusivamente em prol do meu povo Yawanawa, enquanto isso acompanhei apenas de longe os inúmeros problemas que enfrentava o convenio.

 

Quem não deve, não teme. Por isso, sinto o ar da brisa tocar na minha face com o ar de liberdade de falar e opinar sobre qualquer coisa na hora que achar necessário. Tenho endereço fixo em Rio Branco e na aldeia Mutum. Tenho um povo e um trabalho sério que desenvolvo há 12 anos, o projeto de desenvolvimento socioeconômico Yawanawá. Subo o Rio Gregório parando nas aldeias, reunindo com meu povo, discutindo nossos problemas e tentando encontrar uma solução para a coletividade. Aqui em Rio Branco , vocês me encontram na minha casa ou mesmo nas ruas da cidade, andando de sandálias havaianas, saudando um amigo aqui e outro acolá. Não devo nada a ninguém e nem ninguém me deve nada. Assim desfruto a cada minuto desses lugares como se o amanhã fosse hoje. Livre. Sem amarras. Sem medo. Desfruto da confiança de muita gente que me conhece bem pelo que sou e não pelo que falam de mim.

 

Como de praxe, minha participação no movimento indigena tem sido sempre ferrenha em defesa de nossos direitos. Nunca recebi nada por isto, quem me conhece sabe disto. Não vendo minha alma, minha dignidade e integridade por a troco de dinheiro e bens materiais. Nunca  objeto de manobra ou disposto a venda. Falo por mim, os outros falam por eles.

 

A justica deveria mesmo era procurar os verdadeiros culpados, alias e uma voz entre o povo indigena que nao quer se calar, que se faca justica, que por conta dessa bandidagem muitos indigenas morreram por falta de assistencia de saude.

 

Respeitosamente,

 

Joaquim Tashka Yawanawa

NEOSHAMANISMO INDIGENA


Nilson Saboia Tuwe Huni Kuin

New York – 27.12.2012

Gostaria de aproveita esse meio de comunicação e compartilhar essa mensagem de uma maneira bem direta e objetivo, com todos vocês que acompanham as informação através dos meios de comunicao e das rede sociais espalhadas ao redor do mundo.

Em primeiro de tudo, gostaria de agradecer a Natureza que e a Nossa Mae Terra, por esta dando essa oportunidade de nos encontrarmos nessa  jornada de  vida pessoal, profissional, politica, institucional, cultural, espiritual e no mundo virtual.

Saudações aos amigos que me conhecem e para quem não me conhece, sou Tuwe Inu Bake, pertenço ao Povo Huni Kuin - Terra Indígena Kaxinawa do Rio Humaitá, localizado no Município de Tarauacá-Acre, Brasil. Sou filho da Liderança tradicional Vicente Sabóia. Sou Agente Agroflorestal, formado pela Comissão Pro-Indio do Acre - CPI/Acre. Sou também um cineasta indígena que  atualmente estou trabalhando em um filme de longa metragem sobre os povos isolados. Sou uma jovem liderança do meu povo, me considero um embaixador,  articulador e porta-voz do meu povo.

Desde 1999, estou dando continuidade no trabalho que meu pai inicio na época dos patrões seringalistas. Hoje meu velho Pai esta apenas nos orientando de como devemos proceder para guiar nosso povo e fazer articulação política dentro e fora da aldeia.

Nosso povo Huni Kuin conhecido também como Kaxinawa,  e a população mais numeroso do estado do Acre, distribuídas em 12 T.Is  por mais que e de um único povo mais quando muda de uma Terra para outra existem a suas diferenças muito grande na organização interna e externa em vários aspectos.

Dentro nosso contexto Histórico estamos vivendo em 05 momentos Diferentes ( Tempo da Maloca, correria, Cativeiro, direito e agora estamos vivendo no que e nosso) sobre tudo em um outro dilema totalmente diferente, muitas coisas foram boas mais muitas coisas foram ruim a parti do momento que passamos a ter contatos com o mundo Ocidental.

Atualmente, estou estudando Inglês  na cidade de Nova York, na New York University - USA, fazendo Curso de Cinema e também fazendo articulação  politica conseguindo parceria apoio para juntos podemos trabalhar em uma politica publica de uma forma coletiva e participativo para melhorar a qualidade de vida dos Povos Indígena e do Movimento social.

Desde muito jovem tenho acompanhado o trabalho dos velhos pajés de nosso povo. E um trabalho muito serio, porque eles dedicam toda uma vida de aprendizagem, uma vida dedicada a servir as pessoas e bendizer a comunidade... Os pajés são gente muito humilde, mais de muito conhecimento e poder espiritual. Nossos Yuxibus sãos pessoas que apesar de ter muito conhecimento, eles não se orgulham e nem se apresentam como grande conhecedores da nossa espiritualidade. Eles não precisam de reconhecimento, eles não precisam se pintar e usar cocares de mais 3 metros de altura e encher o pescoço de colares para dizer que são pajés... A própria natureza e nosso povo reconhece e respeita eles. Assim, os pajés levam a vida deles na floresta, são os verdadeiros guardiões do conhecimento ancestral de nosso povo.

Como jovem que prezo pela preservação e fortalecimento do conhecimento tradicional, vejo com muita tristeza que esse conhecimento que nos foi dado pelo grande criador desde os tempos imemorias aos nossos ancestrais através dos pajés, esta sendo vulgarizado pelos mais jovens que dizem serem pajés. Estão viajando o mundo enganando as pessoas. Esses jovens nao tem nenhum tipo de respeito com o conhecimento dos mais velhos, esses jovens se dizem ser pajés e saem viajando para encantar as pessoas com nossos cantos sagrados, fazem curas sem nunca ter aprendido como fazer uma cura. Sobre tudo se aproveita de uma oportunidade para ser engrandecer ou apenas se aparecer no meio de um publico que ainda tem muito que aprender sobre os povos Indígenas e sua Cultura.

A toda hora vimos anúncios de jovens Hunikui e de outros povos panos nas redes sociais como facebook e outros, anunciando cerimônias de curas. inventando cantos, inventando rezas e inventando rodas de curas.

Não culpo apenas os jovens, culpo também pessoas de ma fe que utilizam esses jovens também angariar fundos para uso próprio. Sendo manipulados por certas pessoas, misturando uma coisa com a outra como por exemplo; amizade, profissional, cultural, espiritual ate mesmo amizade mais intimos, isso esta sendo muito ruim, para nosso Povo.

Não existe nenhuma conexão com o pensamento coletivo da comunidade. Enquanto os verdadeiros pajés estão na aldeia, esses jovens viajam enganando as pessoas... Fico aqui me perguntando, e fácil enganar as pessoas deste jeito...  Se alguém chegar na aldeia e se apresentar como ministro do Brasil, no mínimo eu vou me informar sobre de onde ele veio, quem e ele e o que ele veio fazer na minha aldeia, antes de convocar meu povo para ter uma reunião com ele.

E preciso ter muita cautela, pois manusear nossas bebida sagrada sem nenhum preparo, em vez de trazer paz e harmonia pode trazer muita coisa negativa.  

O shamanismo virou uma maneira fácil de ganhar dinheiro, por isso a cada instante estão aparecendo pessoas saindo para viajar para o sul do pais em busca do dinheiro fácil. Muitas vezes saem da comunidade nem  ninguém saber para onde vão, voltam com a bolsa de dinheiro e ficam semanas no município gastando o dinheiro ganho com a espiritualidade com cachaça, mulher e outras ilusões da vida do homem branco.. Bem controversial porque enquanto estão viajando, se apresentam como o índio espirituoso, o puro, quando voltam parar seus municípios não passam de pessoas inrresponsaveis  sem compromisso com sua família, sua comunidade e seu povo.

Quero fazer uma alerta a estas pessoas que estão promocionando  este tipo de coisa que vocês não estão ajudando a organizar nosso povo, vocês estão ajudando a desestruturar nossas comunidades.. Vocês estão contribuindo para jovens saírem de suas aldeia e não quererem mais retornar para continuar com a vida de aldeia.. Muitos deles viajam e ficam gastando todo o dinheiro no município e já recebem um outro convite para fazer outra viagem, muitos deles nunca mais retornam pra aldeia e ficam entre as viagens do sul do pais e os municípios de suas terras indígenas.

O shamanismo esta virando uma galinha de ovos de ouro.

Isto tudo esta deixando a gente muito a desejar, não e um bom exemplo que estamos vivenciando, pois nos seremos os espelhos da futura geração, se comportamos assim que exemplos vamos ensinar para nossos filhos. Não queremos generalizar nosso ponto de vista, queremos apenas lançar um alerta de um problema que estamos vivendo. Assim, como existe pessoas não-indigenas inrresponsavel, também temos indígenas inrresponsaveis, que por conta deles, levamos a culpa de sermos `caboclos inrresponsabeis`. No meio de tudo isto, existe pessoas não indígenas honestas e serias que querem mesmo apoiar e ver a autonomia e qualidade de vida dos povos indígenas. Mais e preciso distinguir quem e serio e quem não e, quem tem sua postura, ética, maturidade, responsabilidade e compromisso, Pois se continuar como esta indo os povos indígenas vão perder sua moral e perder muitas oportunidades de apoio para suas comunidades.

Sabemos que tem muita gente querendo ajuda os povos Indígenas, e bem vindos todas as parcerias, apoio seja o que for, mais precisamos ter clareza de que forma podemos ajuda melhor de uma forma coletiva e participativa sobre tudo construtivo, porque caso ao contrario podemos atrapalhar ou prejudicar muito mais.

Estou falando isso nao querendo ser melhor do ninguém, porque nao sou, claro que cada um tem suas diferença e qualidades, nem tenho intenção de prejudicar ou atrapalhar e nem desfazer de ninguem,

Quem quiser acha ruim pode acha mais minha parte estou fazendo.

Com uma intençao de ajuda melhorar esse novo momentos que estamos vivendo da transformação, Autonomia, impoderamento e interculturalidades.


 

Organização dos Índios  Urbanos de Rio Branco – Irinawa

Como parte do processo da re-organizacao, como movimento indígena, hoje as 11 da manha, dia 1 de Dezembro de 2012, reuniram-se em Rio Branco, os membros fundadores da  Organização dos Índios  Urbanos de Rio Branco – Irinawa. Esta reuniao contou com a participação de diferentes grupos indígenas que vivem no município de Rio Branco para fundar a organização que ira representa-los politicamente e lutar por seus direitos.

Vivem hoje em Rio Branco, cerca de 4700 indigenas, que migraram para Rio Branco na década de 70, 80 e 90.  São pessoas que vivem a margem dos seus direitos pelo simples fatos de serem indígenas vivendo nas cidades.

Essa nova organização foi fundada com a missão de servir como um instrumento da re-ligacao dos índios urbanos com suas aldeias, vai trabalhar em prol dos direitos indígenas que vivem nos centros urbanos, direitos estes que são negados pelos simples de não estarem vivendo nas aldeias. Ira fortalecer a identidade indígena,  ira criar ambiente onde a a língua, a manifestacao cultural e espiritual possam serem manifestadas sem sofrer ameaças ou discriminação....

Dia 30 de Dezembro, teremos uma festa de confraternização entre índios urbanos e não indígenas simpatizantes da causa indígena na chácara Yuxinawa, próximo ao aeroporto de Rio Branco. Nesta ocasião a diretoria será empossada e celebramos juntos a fundação deste nova organização

Agradecemos a todos participantes que tiveram a coragem de abraçar esta causa com a gente.

 

Temos que lutar pela verdade, mesmo que seja contra nossas próprias vontades e vaidades

 

Tenho acompanhado pela redes sociais, o encontro organizado por algumas organizações ambientalistas Californiana sobre o REDD. Para a surpresa de muitas organizações indígenas que estão nesse momento organizando seminários e encontros para debater o tema para  entender o sistema, a discurssao na Califórnia se pautou no NO REDD.  Nada contra quem são a favor ou quem são contra.. atualmente minha posição e neutral, quero entender melhor, para não tomar nenhum decisão precipitada que possa comprometer o futuro do meu povo de nosso planeta.

Esssa discurssao ta parecendo muito com a visão missionária, de que, quem for a favor vai para o inferno, quem for contra vai para o ceu. Acho que essa galera, andam lendo demais o livro de Alex Polares, o qual ele troglodita, com as palavras de João Batista, em vez de A Voz que Clama no Deserto, ele diz A Voz que Clama na Floresta. De dois lados, temos pessoas cooptadas com a missão de converter comunidades tradicionais em adeptos REDD, assim como temos os que são contra que pregam o terrorismo e o fim do mundo caso alguém se arrisque a falar que e a favor dos projetos de REDD.

Pessoalmente prefiro me aconchegar numa REDE numa assoalho de paxiuba e sentir a brisa fresca do ar tocar na minha cara.. Prefiro não ir nem pro céu e nem para o inferno, mais de lutar aqui  naterra e fazer daqui o nosso paraíso. AS UTOPIAS  não podem morrer.

Tiveram como expositor o Jose Carmelio Niinawa – presidente da Federação Hunikui.  Para minha surpresa vi uma entrevista do Niinawa na semana passada, no qual ele afirmava veemente que as demarcações das terras indígenas do Acre, estão paralisadas por conta dos projetos de REDD. Com esta afirmação Niinawa tira toda a culpa da bancada ruralista, dos projetos de mineração em terras indigenas,  projetos de exploração de petróleo, decreto 303 da AGU que de forma covarde e harbitraria o governo quer tirar todos os direitos dos povos indigenas conquistados ao longo da historia de nosso pais, etc...  Na hipótese de o REDD ser um dos causadores da paralisação das demarcações das terras indigenas. poderíamos dizer que existem `otras cositas a mas`.

Novamente vejo em entrevista recente onde afirma que estavas sendo ameaçado de morte por conta de esta denunciando os abusos do projeto de REDD no Acre... Aqui neste pequeno Acre, nunca ouvi falar de tal ameaca.. nunca se pode deixar-se levar pela vaidade para impressionar as pessoas ou chamar atencao da mídia  inventando uma historia cabeluda como essa. E preciso ter muita responsabilidade e seriedade em fazer tais afirmacoes, para não correr o risco de perder credibilidade e  na hora que realmente precisar do espaço da Mídia, as pessoas não levarem a serio..

 

É TEMPO DE DESPERTAR


É de tempo de despertar, construir coisas novas, aprendendo com o passado.... o movimento indigena do acre, está despertando de um sono profundo. precisamos se juntar para formar A união, para formar a união precisamos juntar a todos...

Unidos pelo mesmo desejo de mudança na condução da política indígena, lideranças indígenas reuniram-se nesta semana passada e dedicaram dois dias para dsicutir o fortalecimento do movimento indígena Depois de uma reflexão em suas conquistas e derrotas e a situação atual que estão vivenciando, ficou acordado da criação de um instrumento politico indígena que possa representar e defender seus direitos junto aos organismos governamentais e não governamentais.

A criação de uma entidade de representação Jurídica e política dos povos indígenas do Acre e sul do Amazonas, começou a ser discutida nas assembléias de lideranças indígenas desde 1983.  Estes encontros  passaram a ser realizadas anualmente em Rio Branco, contando com o apoio da CPI-Acre e do CIMI, entidades indigenistas que haviam se estruturado no estado em final dos anos 70, para dar apoio aos povos indígenas. Essa mobilização pela criação do "movimento indígena" foi crescendo por um considerável número de jovens indígenas, de vários povos, chegados das aldeias em busca de estudar em escolas da capital.

Em 1986, representantes dos povos Kaxinawá, Yawanawá, Katukina, Jaminawa, Kulina, Kampa, Nukini, Poyanawa, Manchineri, Arara, Apurinã e Kaxarari, presentes à III Assembléia Indígena, decidiram pela criação da União das Nações Indígenas do Acre e Sul do Amazonas (UNI), como um instrumento de defesa dos direitos indígenas sobre território, educação, saúde e outros.  Sua legalização formal veio a acontecer apenas cinco anos depois, em 1991.

O  Movimento Indígena do Acre, marcou em sua história em 20 anos de sua existência, papel importante na articulação e representação política do conjunto dos povos indígenas do Acre e sul do Amazonas; intermediou ações no âmbito de grandes programas de desenvolvimento regional; programas promovidos pelos governos estadual e federal; implementou programas de regularização e fiscalização de terras indígenas em parceria com o PPTAL, com recursos de agências e da cooperação internacionais, como também  envolveu-se na execução de programas de políticas públicas.

Em 1999 foi celebrado o convênio UNI/FUNASA,  que tinha como objetivo levar o saneamento de saúde e prestar serviços de saúde básica a população indígena. No entanto, em apenas 04 anos de existência este convênio acabou se transformando num grande simbolo da desestruturação do movimento indígena, onde perdeu credibilidade diante das lideranças indígenas, organizações governamentais e não-governamentias, acarretando no fechamento total da sede e do próprio movimento indígena UNI/AC.

Em 2004 houve a dissolução do movimento indígena devido aos   grandes problemas ocasionado na excussão do convênio UNI/FUNASA.  A Uni, deixou-se levar pela FUNASA, que utilizou de má fé de nossas lideranças para empurrar o movimento indígena num colapso total,  até os dias atuais, lideranças indígenas são convocados para prestar depoimento na Policia Federal, enquanto que os funcionários da FUNASA, nunca foram convocados, nem tão pouco a FUNASA, sofreu algum tipo de intervenção.

Durante este período tenebroso e inseguro de 2004 a 2011, as  lideranças voltaram para suas comunidades, e criaram suas próprias organizações locais e regionais como: Associações, Organizações de Categoria Profissional, Cooperativas  e confederação de povo. Isso contribuiu para que as comunidades pudessem fortalecer sua política interna e local, traçando seus próprios projetos de futuro. Hoje todas as comunidades indígenas estão fortalecidas através de suas organizações representativas, desenvolvem seus próprios projetos e mantêm parcerias de trabalho com organizações nacionais e internacionais. 

No entanto, no tocante da política de interesse comum,  a bandeira de luta coletiva dos povos indígenas deixou de existir, dando vaga políticas de governo sejam traçadas sem a participação dos povos indígenas e suas representações.

Por conta da ausência do movimento indígena, estamos vivendo um momento de retrocesso em nossa história. É inadmissível aceitar que organizações governamentais façam políticas públicas sem conhecer a nossa realidade.

O movimento indígena do Estado do Acre, já serviu como referência nacional, para outros movimentos indígenas brasileiro pela sua trajetória de lutas e conquistas, onde suas lideranças são articuladas e que possuem amplo conhecimento sobre a política indígena local, nacional e internacional e hoje não é diferente, podendo muito contribuir com as políticas públicas indígenas a serem traçadas em nosso Estado.   

A data do recomeço já está marcado... Acontecera na segunda semana de dezembro de 2012, a assembléia geral das lideranças indigenas do Acre, sudoeste do amazonas e noroeste de Rondondia, na Terra Indigena do Rio Gregorio - Aldeia Mutum - Centro Cerimonial de Curas e Terapias Yawanawa.

Repondo a Verdade

Caro Ninawa e demais companheiros,

Deixe-me tomar aqui meu rapé, para conseguir uma inspiração para soprar pra cima e esclarecer ao companheiro Niinawa e seus apoiadores de que eles erraram o alvo ao me atacar gratuitamente. Em vez de guardar rancor, desejo que todas suas reivindicações sejam prontamente atendidas.

Nesses últimos meses, tenho acompanhado toda movimentação em torno das reivindicações que estão sendo feitas em prol da saúde indígena, da demarcação das terras indígenas, projetos de REDD, dentre outras. Todas justas, devo dizer. Meu desejo, repito, é que todas as reivindicações sejam prontamente atendidas.

É muito feio a gente ficar trocando farpas através dos meios de comunicação dos brancos, mas é preciso repor a verdade.

Mesmo cuidando de meus compromissos com a Associação Sociocultural Yawanawá (ASCY) estou sempre atento a tudo que está ligado à questão indígena em nosso Estado. Meu posicionamento tem sido sempre de legitimar qualquer manifestação em defesa dos interesses de nossos povos indígenas. Porque eu acredito no movimento indígena. Acredito num movimento autêntico, onde nossas lideranças tenham espaço para reivindicar seus direitos e exigir dos órgãos públicos o cumprimento das políticas voltadas ao povo indígena. Os nossos direitos devem, ou pelo menos deveriam, estar acima de picuinhas, guerrinhas que são muito mais de brancos que de índios.

Lamento muito quando reivindicações do movimento, apesar de boas, são manipuladas por organizações indigenistas que tentam tirar proveito político da penúria e desgraça em que se encontra o movimento indígena. É triste quando o povo indígena serve de massa de manobra para atender interesses de terceiros. Não podemos jamais permitir que nosso povo e nossas organizações sirvam de objeto de manobra.

Confesso, com muita dor no coração, que tenho visto muitas notícias distorcidas veiculadas para criar fatos. Não precisamos desses artifícios para justificar uma luta que por si já é legitima. Assim também tenho visto inúmeras inverdades sendo ditas, como as de que as lideranças indígenas estão sendo induzidas a aceitarem projetos de carbono em seus territórios, que lideranças estão sendo compradas e manipuladas. Finalmente, hoje você se superou, meu caro Ninawa, ao afirmar para o jornal A Tribuna, inverdades, mentiras. Porque é mentira sua dizer que estou recebendo pagamentos para apoiar os projetos de carbono do governo.

Niinawa ravïwe. Mi vesu anu ravï yamai? Txanihi ravïti. Askayamawe txai, mi vakehu maki. Nawahu uïtsamapai mï teikisa ari mari  tsãi putai, askayamawe. Nü hunikuishü, nu shanãihushü nukë tsãi westisi. Mï nawahãu tsãi putaisi, ma mi tsani xarawa.

Como de praxe, minha participação tem sido sempre ferrenha em defesa de nossos direitos. Nunca recebi nada por isto, quem me conhece sabe disto. Você sabe disto. Não vendo minha alma, minha dignidade e integridade. Sempre tive opinião e ponto de vista próprio, daquilo que considero correto e coerente. Quando acredito vou até as últimas conseqüências. Não estou à venda. Falo por mim. Você fala por você.

Não preciso acampar em prédios públicos para fazer minha voz chegar aos quatros cantos da terra. De onde estou faço minha guerra e a minha defesa, daqui toco meu tambor e chacoalho meu tacapi. Para mim, a defesa dos direitos do meu povo, dos meus parentes, está acima de vaidades pessoais.

Sou Yawanawá, povo da queixada. Sou guerreiro. Mas, minha guerra tem um único foco, um único objetivo: garantir que os direitos do meu povo, dos meus parentes, sejam assegurados, sejam mantidos, conquistados. Disso jamais abrirei mão. Por isso não aceito mentiras jogadas ao sabor do vento por quem deveria estar na mesma linha de frente que eu e tantos outros parentes que têm dedicado sua vida a esta causa. Sou de luta. Nunca fugi de uma boa luta. Aliás, dou um boi para entrar numa briga e dou uma boiada para não sair mais dela. Não tenho rabo preso com ninguém. Sempre tenho dito que a riqueza que Deus me deu nesta terra é ter nascido no meio de um povo tão lindo como o Yawanawá e os inúmeros amigos que tenho. Minha relação com o meu povo e com os demais povos indígenas nunca foi de trabalho, sempre foi uma relação de compromisso de vida. E, pelo meu povo, vou às últimas conseqüências. Só por isso estou aqui usando este espaço para reparar as inverdades que você disse.

Quem não deve, não teme. Por isso, sinto o ar da brisa tocar na minha face com o ar de liberdade de falar e opinar sobre qualquer coisa na hora que achar necessário. Tenho endereço fixo, Niinawa, na aldeia Mutum. Tenho um povo e um trabalho sério que desenvolvo há 12 anos, o projeto de desenvolvimento socioeconômico Yawanawá. Subo o Rio Gregório parando nas aldeias, reunindo com meu povo, discutindo nossos problemas e tentando encontrar uma solução para a coletividade. Aqui em Rio Branco , você me encontra na minha casa ou mesmo nas ruas da cidade, andando de sandálias havaianas, saudando um amigo aqui e outro acolá. Não devo nada a ninguém e nem ninguém me deve nada. Assim desfruto a cada minuto desses lugares como se o amanhã fosse hoje. Livre. Sem amarras. Sem medo. Desfruto da confiança de muita gente que me conhece bem pelo que sou e não pelo que falam de mim.

Te convido, Ninawa, a visitar o Rio Gregório e suas aldeias. Lá é a minha base, minha casa. Literalmente, minha aldeia, como gostam de dizer os brancos. Não faço só política. Faço trabalho também, pois nem só de política o homem viverá. Os bons exemplos começam dentro da nossa casa.

O Acre precisa de um movimento indígena legítimo, que venha das bases e não de um movimento surgido nos centros urbanos. O meu inimigo, txai, é outro. O inimigo é o lobo que anda ao seu lado disfarçado de ovelha. O mesmo que no passado tentou desmoralizar importantes lideranças, como Ailton Krenak e Álvaro Tucano, e hoje tenta fazer o mesmo com Almir Surui, dentre outros. Usando sempre as mesmas táticas de colocar as lideranças indígenas para se digladiarem, enquanto ficam assistindo o show lambendo os beiços, como verdadeiros chacais.

Te convido também, Niinawa, a lutar no nosso campo de batalha. Ainda há tempo. Como disse, não somos inimigos. Somos parentes. Saia do anonimato e da trincheira, meu amigo, venha pro abraço e vamos somar juntos na construção de um verdadeiro movimento indígena. 

Um abraço,

Tashka Yawanawá

O caso do carbono indígena e as lições aprendidas

Por Raul Silva Telles do Valle do ISA (www.socioambiental.org )

Vem gerando um zum-zum-zum a história, que veio a público por uma reportagem da Agência de Notícias Pública, do contrato de venda de carbono florestal assinado entre os índios Munduruku e uma obscura empresa irlandesa denominada Celestial Green Ventures. A polêmica gira em torno da legalidade ou não do contrato, pelo qual os Munduruku “vendem” à empresa – por US$ 4 milhões anuais, distribuídos ao longo de 30 anos – o direito de comercializar eventuais e futuros créditos de carbono derivados da conservação da floresta existente em suas terras (TI Munduruku).

Na grande mídia, a história ganhou ares de ameaça à soberania nacional: os índios estariam vendendo, a preço de banana, uma fatia da Amazônia. Para os que estão em busca de razões para tirar terra dos povos indígenas (há várias propostas legislativas nesse sentido), isso seria a demonstração de que não se deve deixar nas mãos de pessoas tão irresponsáveis pedaços tão importantes de nosso território. Muito melhor seria deixar as terras públicas nas mãos de grandes produtores. Estes, embora também vendam muito do que produzem para multinacionais (Bunge, Cargill, Mafrig etc.), o fazem em nome do “progresso”.

Não há, no entanto, qualquer ameaça à soberania nesse caso, pois o que está sendo negociado não é a terra ou a floresta que os índios preservaram. Mesmo que assim fosse, o contrato seria nulo, na medida em que a Constituição Federal impede que as terras indígenas ou suas riquezas naturais sejam alienadas a terceiros (art.231, §4o). Jamais um tribunal validaria tal contrato.

No caso específico, o objeto do contrato é a “cessão”, por parte dos índios, do direito de comercialização de eventuais e futuros créditos de carbono que podem vir a ser gerados, a partir da conservação da floresta existente na TI Munduruku (99,5% da área ainda está preservada). Em linguagem jurídica, diríamos que o contrato não está alienando bens, mas mera expectativa de direito. Isso por dois motivos: a) não existe, neste momento, mercado estabelecido para créditos de carbono derivados de desmatamento evitado; b) mesmo que existisse, da forma como aparentemente foi feita essa “parceria”, nada garante que de fato não haverá aumento do desmatamento futuro na área. Explico.

REDD

A Conferência de Durban sobre Mudanças Climáticas, realizada no final do ano passado, jogou para 2020 o estabelecimento de um novo período de compromisso de redução de emissões de gases de efeito estufa para os países industrializados. Enquanto isso, os países que já cumpriram com suas metas atuais não precisarão aumentá-las e os que não conseguiram cumprir (Japão, Canadá, Austrália) ficarão sem qualquer meta.

Essa indecisão mundial praticamente inviabilizou o nascimento, num curto prazo, de qualquer mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) (saiba mais) que pudesse gerar a demanda por emissão de créditos oriundos de desmatamento evitado. Não há hoje, portanto, regras sobre como poderiam ser emitidos e muito menos um mercado para créditos florestais. O que existe é um ainda incipiente e desregulado mercado voluntário, o qual, embora salutar, aproxima-se muito mais de “marketing verde” do que de um mecanismo de redução de emissões. E que, por essa razão, tem uma demanda ínfima.

Além disso, há outro problema grave na negociação entre essa empresa e os Munduruku. Ela pressupõe que, no futuro, a floresta estará lá e que, portanto, se mercado e regulamentação houver, algum crédito será gerado. Mas o que garante que a floresta continuará preservada? Os US$ 4 milhões? Obviamente, não.

O desmatamento evitado não é o resultado de um contrato ou mesmo de um pagamento. Sobretudo em terras indígenas, ele só pode ser alcançado a partir de um adequado planejamento de uso do território, que possa projetar no futuro a forma como os índios querem lidar com os recursos naturais de suas terras. Na Colômbia esse planejamento tem reconhecimento oficial (planes de vida) e é a base para o repasse de recursos públicos para gestão pelas autoridades indígenas. No Brasil, eles ainda não existem oficialmente, mas poderiam – e deveriam – ser incentivados se a Política Nacional de Gestão Ambiental em Terras Indígenas (PNGATI), elaborada pelo governo federal, em 2010, com ampla consulta às populações indígenas, já tivesse sido aprovada pela presidente da República.

Existem iniciativas positivas de discussão de REDD com povos indígenas em curso no Brasil , que partem da elaboração de um plano de uso do território. Questões como fiscalização das fronteiras, manejo florestal, estrutura das aldeias, transporte, saúde, educação, fortalecimento institucional das associações indígenas e aprimoramento dos sistemas agrícolas são elementos que devem constar de longas e profundas discussões entre os moradores das terras, anciões e jovens, pajés e agentes de saúde. Sem acordos internos e um planejamento adequado, é impossível garantir que não haverá desmatamento, pois, sobretudo com o avanço da fronteira agrícola para as regiões onde estão as terras indígenas, a conservação estará permanentemente ameaçada. O novo Código (des) Florestal em discussão no Congresso Nacional, por exemplo, permitirá que até 20% da Terras Indígenas possa ser desmatado para uso alternativo do solo (pastagens ou atividades agrícolas). Portanto, a conservação florestal (e dos estoques de carbono) é e continuará sendo uma opção dos povos indígenas, não um fato do destino.

Desafio

Uma vez que a maior parte das terras indígenas na Amazônia brasileira já foi oficialmente reconhecida, entramos agora numa nova fase, cujo desafio é justamente apoiar os povos indígenas a gerir suas terras num contexto totalmente distinto daquele que existia quando grande parte de seus atuais líderes nasceu. O avanço das estradas, hidrovias, hidrelétricas, fazendas, madeireiras e cidades traz ameaças, mas também oportunidades, que podem ser bem ou mal aproveitadas. Hoje grande parte da população indígena amazônica ainda vive numa economia de subsistência, com pouquíssimos serviços públicos (saúde e educação) a elas disponíveis e dependendo do assistencialismo da Fundação Nacional do Índio (Funai) ou de projetos-piloto executados em parceria com ONGs para conseguir algum excedente monetário. Essa é uma situação obviamente insustentável num futuro mediato e, se não houver apoio público à opção “uso florestal”, muitos povos podem cair, mais cedo ou mais tarde, no dilema vivido pelos Pareci (MT), que hoje arrendam parte de seu território para sojicultores vizinhos, por absoluta falta de alternativas viáveis.

Fica claro, portanto, que nenhum projeto de REDD terá qualquer chance de sucesso se não se basear num projeto de vida das populações envolvidas, numa opção pela geração de bem-estar a partir do uso sustentável da floresta. Nesse contexto, eventuais créditos de carbono podem ser uma fonte valiosa de recursos para financiar a implementação desse projeto. Não a única, mas uma fundamental.

O caso dos Munduruku aparentemente não tem nada disso. O contrato paira sobre um vácuo. Não houve – pelo menos não veio a público – qualquer planejamento de uso do território, não tem qualquer acordo entre os próprios índios sobre o futuro. Não há uma estratégia sobre como lidar com as cada vez mais frequentes ameaças à floresta que ali existe, nem um plano de como capacitar as novas gerações a usá-la de forma tão parcimoniosa como as anteriores, mas com agregação de valor que lhes permita gerar bem-estar.

Esse contrato seria, portanto, fruto de um oportunismo de uma empresa obscura, que, no fundo, não ameaça o país ou a Amazônia, mas os próprios índios que o assinaram. Ele tenta, na verdade, criar um obstáculo jurídico aos Munduruku caso, no futuro, exista realmente um mecanismo de REDD – e de redução de emissões – em funcionamento no Brasil e no mundo e as florestas de suas terras venham a ganhar algum valor por poder gerar créditos de carbono. Esse contrato obrigará os índios a negociar com essa empresa para poder acessar esse eventual e futuro mercado, já que a ela cederam o direito de gerar e vender esses créditos. Mesmo sendo um contrato evidentemente nulo, por trazer condições abusivas para os Munduruku, ele se tornará um trunfo para a empresa, que poderá atrapalhar qualquer negociação futura dos índios. Quem vai querer comprar créditos disputados na Justiça? A situação é semelhante a que ocorreu no início da internet, quando oportunistas correram para registrar domínios em nome de empresas famosas para depois com elas negociar a preço de ouro.

Portanto, embora descabido o temor com relação à soberania nacional, esse caso traz à tona a necessidade de se avançar numa regulamentação nacional para projetos de REDD que possa separar propostas consistentes de outras vazias, como essa. E uma proposta só pode ser consistente se estiver intimamente atrelada a um plano de uso do território, seja em terras indígenas, seja em outros locais. Por essa razão, urge que a presidente da República assine o decreto que institucionaliza a PNGATI e finalmente dê recursos para que a sociedade brasileira possa investir na boa gestão das terras indígenas, algo fundamental para o futuro do clima na Terra e no Brasil, da Amazônia e dos 205 povos indígenas que nela habitam.

 

Rio Branco 17/02/2012

 

Caros companheiros de luta do CIMI da Regional Amazônia Ocidental,


O Movimento Indígena do Acre marcou em sua história várias conquistas que só foram possíveis graças à coragem e à determinação de nossas lideranças em lutar pelos nossos direitos. O movimento exerceu papel importante na articulação e representação política do conjunto dos povos indígenas do Acre e sul do Amazonas. Sempre acreditamos em nosso potencial e em nossa autodeterminação de decidir o futuro de nossos povos.

Tomar conhecimento do conteúdo do Termo de Declaração, prestada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) – Regional Amazônia Ocidental, junto ao Ministério Público Federal no Acre (MPF-Acre), alegando que as lideranças indígenas e suas organizações estão sendo manipuladas e induzidas pelo Governo do Estado do Acre, pela FUNAI e por organizações não-governamentais, acreanas e internacionais, a aceitarem os projetos de carbono e REDD, nos causou um grande impacto e constrangimento. Mais pelo fato destas afirmações terem sido feitas uma instituição como o CIMI, que foi parceira dos povos indígenas nos anos 80’s na luta pela defesa de seus territórios. A propósito, na época em que as lideranças indígenas lutavam lado a lado com a CPI/AC e o CIMI pela demarcação de seus territórios, foram essas lideranças induzidas a lutar por seus ideais, por uma questão de vida e sobrevivência de nossos povos?

Dizer que os povos indígenas do Acre estão sendo manipulados e induzidos a aceitar um projeto imposto por terceiros é, no mínimo, duvidar de nossa capacidade de interagir com órgãos de governo e da sociedade civil e de traçar planos que possam consolidar nossos direitos territoriais, a gestão de nossos territórios e auto-suficiência econômica e bem estar de nossas comunidades. Nós não precisamos de tutela; buscamos parcerias sérias que reconheçam e respeitem nossa autonomia.

Dentre os pontos principais da oficina ocorrida em Rio Branco, no Centro de Formação dos Povos da Floresta, da CPI/AC, estiveram a ênfase nos direitos dos povos indígenas, o usufruto exclusivo sobre seus territórios, o direito à consulta, livre, prévia e informada, a importância das salvaguardas socioambientais para evitar riscos em projetos de serviços ambientais, e fazer uma reflexão sobre o Sistema Estadual de Incentivos a Serviços Ambientais (SISA), criado pelo Governo do Acre. Estavam presentes nessa discussão lideranças de 25 terras e 28 indígenas do Acre, além de representantes da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), que têm protagonizado processos de diálogo e de construção de salvaguardas nos planos nacional e internacional.

Ninguém esta forçando as organizações indígenas a nada. Somos lideranças maduras com larga experiência nos movimentos indígena e ambiental no Acre, no Brasil e no mundo. Não venham nos tratar como indígenas tutelados que precisam de ONG’s e ambientalistas para defender seus direitos. Somos povos soberanos, e só a nós, cabe decidir se queremos ou não participar de qualquer projeto que esteja ligado a nossos povos e territórios...

Em nenhum momento decidimos se somos a favor ou contra os projetos de REDD. Primeiro precisamos nos informar e formar nossas comunidades sobre as oportunidades e desafios. Tanto os que são a favor dos projetos de REDD, quanto os contra, têm que ter a seriedade e a ética de repassar informações corretas e estabelecer processos continuados de diálogo. Os que são a favor não podem prometer a redenção para resolver todos os problemas em nossas comunidades; os que são contra, por sua vez, não podem fazer terrorismo com nossos povos, usando como pano de fundo o capitalismo do mundo ocidental, criando um clima de desconfiança e medo, baseado em suposições e inverdades.

O que não vamos admitir e permitir é que nossos povos e nossas organizações sirvam de objeto neste debate acalorado entre ONG’s e governos.

Achamos que o CIMI – Região Norte precisa se reciclar e abraçar a causa indígena e lutar lado a lado com os povos indígenas novamente. Ultimamente, o seu distanciamento está trazendo uma visão distorcida e fora de nossas realidades. Convidamos o CIMI a interagir e participar de nossas reuniões e encontros para ouvir de perto e contar de certo. Não demos qualquer delegação ao CIMI para representar nossos interesses junto ao Ministério Público Federal. Se em algum momento acharmos que nossos direitos estão sendo violados, nós mesmos poderemos acionar o MPF-Acre, para fazer valer direitos consagrados na Constituição Federal e em tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário (a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas).

Esperando poder ter esclarecido nosso posicionamento, assinam esta carta as associações abaixo relacionadas.


Tashka Yawanawa
Associação Sociocultural Yawanawa – ASCY

Sian Kaxinawa
Associação Kaxinawa do Rio Jordão – ASKARJ

Haru Kuntanawa
Assoiação Sociocultural e Ambiental Kuntamanã – ASCAK

Osmildo Kuntanawa
Organização dos Povos Indígena do Vale do Juruá - OPIRJ

Nilson Sabóia Kaxinawa - APAIH
Associação Kaxinawa do Humaitá

Associação de Cultura Kaxinawá do Humaitá
Francisco de Assis Mateus de lima

Shaneihu Yawanawa

Cooperativa Agro-extravista Yawanawa - COOPYAWA


Francisca Arara
Organização dos Pofessores Indígenas do Acre - OPIACRE

Josias Mana Kaxinawa
Associação do Agentes Ambientais do Acre - AIMAIAC

Assis Gomes Kaxinawa
Organização dos Agricultores Kaxinawá da Terra Indígena Colônia 27 - OAKATI 27

Erison Muniz de Oliveira
Associação Indígena Nukini – AIN

 

 

 

Estrela Guia

Hoje acordei com  um vazio, pensando nos cantos que sempre houvia, Luiz de Carvalho por certo.

Senti fisicamente sua ausência, mais posso senti de onde estejas, a sua presença a cada dia em minha vida.

Ai que saudades, tantas saudades de tantas coisas que nem posso descrever, apenas sentir. Agora compreendo melhor seus conselhos, sua visão, seu pensamento, sua forma de ver o mundo.. Descance em paz e mande pra gente o espírito consolador que vale a pena fazer as coisas certas.

NOTA  DE  REPÚDIO

Nós, Organizações não Governamentais do Acre, abaixo assinadas, repudiamos as declarações infundadas, irresponsáveis e descompensadas do Deputado Aldo Rebelo, do PC do B de São Paulo, contra o profissional  Fabio Vaz de Lima, em seu discurso  na sessão plenária da Câmara dos Deputados, em Brasília, na última terça feira dia 10/05/2011.

 O Deputado Aldo Rebelo continua errando. Errou ao querer atacar pessoas de bem,   parcela da população brasileira, que defendem  qualitativamente crescimento e desenvolvimento com preservação ambiental. Errou ao querer  esconder as questões de fundo do PL Código Florestal,  objeto de  entrega  e junção promíscua  do deputado aos defensores do agronegócio. Errou ao, mais uma vez,  desrespeitar o povo do Acre atacando nefastamente  um cidadão que conhecemos de longa data e que, como parceiro,  trabalha por um Acre socioambientalmente  equilibrado há quase três décadas. O Deputado Aldo Rebelo  deveria era dar respostas à sociedade brasileira  e por nas sessões da Câmara dos Deputados o debate qualificado e democrático, ao invés do escamoteado, amparado  unicamente pelos interesses econômicos.  Mas acertou uma: acertou ao sinalizar com ataques, agressão e mentiras, o quanto está despreparado para assumir a liderança de questões tão grandiosas para o Brasil  como a revisão do Código Florestal, demonstrando que falta muita democracia correndo em sua veia,  e que não tem equilíbrio para continuar como relator  de tão importante projeto.

O que motiva acusações irresponsáveis do referido deputado? A quem interessa? Que “novas” características o deputado quer dar a esquerda brasileira? A resposta tem nome e endereço: chama-se agronegócio, setor  que o deputado parece defender.  

A grandiosa e importante  discussão sobre o Código Florestal brasileiro não deveria ser  motivo de nota de repúdio desta natureza. O deputado deveria ser responsável  e liderar o debate que permitisse que o Brasil despontasse no cenário mundial como país justo econômica, social e ambientalmente.  É o que  defendemos.   

 

Assinam esta nota:

Associação Sócio- Cultural Yawanawa – ACSY

Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular – CDDHEP/AC

Centro dos Trabalhadores da Amazônia – CTA

Comissão Pró-Índio do Acre – CPI/AC

Grupo de Pesquisa e Extensão em Sistemas Agroflorestais do Acre – PESACRE

Grupo de Trabalho Amazônico – GTA

Rede Acreana de Mulheres e Homens - RAMH

SOS Amazônia

 

Saudades

NASCE  UMA  ESTRELA

Vera Olinda

 

Nascer e morrer são complementariedade e mistérios. O bom é que os mistérios não são desvendados e assim não quebram os encantos da vida. Acredito que os seres encantados, os seres iluminados, nos sustentam na terra. Acho que eles nos mantêm ligados a natureza. São muitos os bons seres iluminados em órbita e,  ontem, dia 20 de dezembro de 2010, ganhamos em outro plano a força da proteção do Sr Raimundo Luiz Yawanawa, que fez sua passagem. 

 

Ficamos todos tristes, ficamos com saudade. Mas confortados pela força transformada do “Velho Raimundo”, como era chamado com carinho.  Já sabemos de sua trajetória como liderança yawanawa, que lutou pela sua terra, que organizou seu povo para este mundo diverso. Junto com a luta pela terra o “Velho Raimundo” era um homem muito sabido. Sabia muito dos conhecimentos indígenas milenares. Sabia dar conselhos, sabia e gostava de ensinar, sabia ouvir. Outra característica marcante era o encanto absoluto com sua risada altíssima,  inconfundível, que muitos de seus muitos filhos herdaram.  Alegre, muito alegre. Como um membro nato da família lingüística pano, sua etiqueta de bem receber era absoluta: convidava, oferecia, trocava, informava, encantava o visitante e adorava filosofar.  Incrível sua capacidade de entender e explicar as coisas,  o mundo, os fatos dos mundos indígena e não indígena.

 

Bravamente  segurou  firme um tratamento de quimioterapia em Rio Branco, mas foi em Tarauacá, mais perto de sua terra indígena e de seus parentes, que escolheu virar um ser iluminado. Na verdade ele fez uma parada em Tarauacá, no caminho de volta para sua aldeia atual, chamada Mutum. Ontem, subiu o rio numa canoa, passou pelo Mutum e vai ficar todo o tempo no Kaxinawa, o primeiro lugar do povo Yawanawa, o lugar atual dos sábios e dos seres iluminados.

 

Um pouco antes de ir por definitivo conversou com Julia, Tashka, Mariazinha, Sales e outros familiares e pediu que segurassem o que ele começou, pediu que cuidassem da terra indígena, que não voltassem atrás, que seguissem seus ensinamentos. Eles disseram que assim será.

 

O Velho Raimundo Luiz foi uma escola diferenciada para nós todos. Agora virou ser iluminado,  ou nasceu estrela, mas  sua luz continuará brilhando em florestas e cidades  para fazer deste, um mundo mais pró índio.

[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Norte, RIO BRANCO, JARDIM DE ALAH, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Viagens, Casa e jardim, casado, 2 filhas
MSN -

O que é isto?